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Cálculo Integral MAT0321 - 2026/1

Material de apoio Tensores

Definição 58. \(k-\)tensor.

Sejam \(V\) um espaço vetorial e \(V^k=V\times V\times\cdots\times V\) o produto cartesiano de \(k\) cópias de \(V\text{.}\) Um \(k-\)tensor é uma aplicação multinear \(T\colon V^k\to\R\) , ou seja,
\begin{align*} T(v_1,\ldots,v_i+w_i,\ldots,v_k)& =T(v_1,\ldots,v_i,\ldots,v_k)+T(v_1,\ldots,w_i,\ldots,v_k);\\ T(v_1,\ldots,\alpha v_i,\ldots,v_k)& =\alpha T(v_1,\ldots,v_i,\ldots,v_k), \end{align*}
para todo \(1\leq i\leq k\text{.}\)
Definimos as operações de soma de \(k-\)tensores e multiplicação de uma escalar por um \(k-\)tensor de maneira natural:
\begin{align*} (T+S)(v_1,\ldots,v_k)& =T(v_1,\ldots,v_k)+S(v_1,\ldots,v_k);\\ (\alpha T)(v_1,\ldots,v_k)& =\alpha T(v_1,\ldots,v_k), \end{align*}

Nota 59.

O conjunto \(\mathcal T^k(V)=\big\{T\colon V^k\to\R\text{ tais que } T\text{ é }k-\text{tensor}\big\}\) é um espaço vetorial.

Exemplo 60. Produto escalar.

Se \(V\) é um espaço vetorial com produto escalar (ou produto interno), então este produto interno pode ser visto como um \(2-\)tensor (siméstrico e positivo-definido).

Definição 61. Produto tensorial.

Sejam \(S\in\mathcal{T}^k(V)\) e \(T\in\mathcal{T}^l(V)\text{.}\) O produto tensorial, \(S\otimes T\in\mathcal{T}^{k+l}(V)\text{,}\) é dado por
\begin{equation*} (S\otimes T)(v_1,\ldots,v_k,v_{k+1},\ldots,v_{k+l}) =S(v_1,\ldots,v_k)T(v_{k+1},\ldots,v_{k+l}). \end{equation*}

Nota 62.

Observe que \(S\times T\neq T\otimes S\text{.}\)
Além disso, valem as propriedades:
  1. \((S_1+S_2)\otimes T=S_1\otimes T+S_2\otimes T\text{;}\)
  2. \(S\otimes(T_1+T_2)=S\otimes T_1+S\otimes T_2\text{;}\)
  3. \((\alpha S)\otimes T=S\otimes(\alpha T)=\alpha (S\otimes T)\text{;}\)
  4. \((S\otimes T)\otimes U=S\otimes (T\otimes U)\text{.}\)
Observe também que \(\mathcal T^1(V)=V^\ast\text{.}\)

Demonstração.

Definição 64. Pullback de tensores.

Sejam \(T\in\mathcal{T}^k(W)\) e \(f\colon V\to W\) uma transformação linear entre os espaços vetoriais \(V\) e \(W\text{.}\) Definimos o pullback de \(M\) por \(f\) como o \(k-\)tensor \(f^\ast T\in\mathcal T^k(V)\text{,}\) dado por
\begin{equation*} f^\ast T(v_1,\ldots,v_k)=T\big(f(v_1),\ldots,f(v_k)\big). \end{equation*}
Isso define uma aplicação linear \(f^\ast\colon\mathcal{T}^k(W)\to\mathcal{T}^k(V)\)

Nota 65.

Observe que \(f^\ast(S\otimes T)=f^\ast S\otimes f^ast T\text{,}\) para todos \(S\in\mathcal{T}^k(W)\) e \(T\in\mathcal{T}^l(W)\text{.}\)

Demonstração.

Definição 67. Tensor alternado.

Um \(k-\)tensor \(\omega\in\mathcal{T}^k(V)\) é um tensor alternado se
\begin{equation*} \omega(v_1,\ldots,v_i,\ldots,v_j,\ldots,v_k)= -\omega(v_1,\ldots,v_j,\ldots,v_i,\ldots,v_k), \end{equation*}
para todos \(v_1,\ldots,v_k\in V\text{.}\)
O conjunto de todos os tensores alternados é denotado por \(\Lambda^k(V)\text{.}\)

Nota 68.

O conjunto \(\Lambda^k(V)\) é um subespaço vetorial de \(\mathcal T^k(V)\text{.}\)

Definição 69. Alternador de um tensor.

Dado \(T\in\mathcal{T}^k(V)\text{,}\) definimos o tensor \(\alt(T)\in\mathcal T^k(V)\) por
\begin{equation*} \alt(T)(v_1,\ldots,v_k)=\frac{1}{k!}\sum_{\sigma\in S_k} (\sgn\sigma) T(v_{\sigma(1)},\ldots,v_{\sigma(k)}). \end{equation*}

Nota 70.

Com isso temos uma aplicação \(\alt\colon\mathcal T^k(V)\to\mathcal T^k(V)\text{.}\)

Demonstração.

Se \(\omega\in\\Lambda^k(V)\) e \(\eta\in\Lambda^l(V)\text{,}\) nem sempre \(\omega\otimes\eta\in\Lambda^{k+l}(V)\text{.}\) Vamos "consertar" isso:

Definição 73. Produto "wedge".

Se \(\omega\in\Lambda^k(V)\) e \(\eta\in\Lambda^l(V)\text{,}\) definimos
\begin{equation*} \omega\wedge\eta=\frac{(k+l)!}{k!\,l!} \alt(\omega\otimes\eta)\in\Lambda^{k+l}(V). \end{equation*}

Nota 74.

Este produto satisfaz as seguintes proripedades:
  1. \((\omega_1+\omega_2)\wedge\eta= \omega_1\wedge\eta+\omega_2\wedge\eta\text{;}\)
  2. \(\omega\wedge(\eta_1+\eta_2)= \omega\wedge\eta_1+\omega\wedge\eta_2\text{;}\)
  3. \((a\omega)\wedge\eta= \omega\wedge(a\eta)=a(\omega\wedge\eta)\text{;}\)
  4. \(\omega\wedge\eta=(-1)^{kl} \eta\wedge\omega\text{;}\)
  5. \(f^\ast(\omega\wedge\eta)=f^\ast\omega\wedge f^\ast\eta \text{;}\)

Demonstração.

Demonstração.

Demonstração.

Definição 79. Orientação de um espaço vetorial.

Sejam \(V\) um espaço vetorial de dimensão \(n\) e \(\omega\in\Lambda^n(V)\) não-nula. Então para cada base \(\mathcal{B}=\{v_1,\ldots,v_n\}\) de \(V\text{,}\) temos que \(\omega(v_1,\ldots,v_n)>0\) ou \(\omega(v_1,\ldots,v_n)<0\text{.}\) Particionamos o conjunto de bases de \(V\) de acordo com esse sinal.
Duas bases de \(V\) têm a mesma orientação se e somente \(\det(a_{ij})>0\text{,}\) onde \((a_{ij})\) é a matriz mudança de base entre elas.

Nota 80.

A definição acima independe da \(n-\)forma \(\omega\) escolhida.
Notação:
\begin{align*} \big[v_1,\ldots,v_n\big]&=\big\{\text{bases de } V \text{ com a mesma orientação de } \{v_1,\ldots,v_n\}\big\}\\ -\big[v_1,\ldots,v_n\big]&=\big\{\text{bases de } V \text{ com orientação oposta à de } \{v_1,\ldots,v_n\}\big\} \end{align*}
Uma orientação para \(V\) é a escolha de uma dessas classes de equivalência, tipicamente chamada de classe das bases de orentação positiva.

Nota 81.

A orientação usual do \(\R^n\) é aquela onde a base canônica é positiva.

Definição 82. Forma volume.

Sejam \(V\) um espaço vetorial de dimensão \(n\) com um produto interno \(T\in\mathcal{T}^2(V)\text{,}\) \(\mu=[v_1,\ldots,v_n]\) uma orientação de \(V\) e \(\omega\in\Lambda^n(V)\) tal que \(\omega(v_1,\ldots,v_n)=1\text{.}\) Nessas condições \(\omega\) é a forma volume de \(V\text{,}\) dada por \(\mu\) e \(T\).

Nota 83.

Em particular, \(\det\) é a forma volume de \(\R^n\) definida por \(\langle\cdot,\cdot,\rangle\) e \([e_1,\ldots,e_n]\text{.}\) Nesse sentido, \(\det(v_1,\ldots,v_n)\) é o volume \(n-\)dimensional do paralelepípedo gerado por \(\big\{v_1,\ldots,v_n\big\}\text{.}\)

Definição 84. Produto vetorial em \(\R^n\).

Dados \(v_1,\ldots,v_{n-1}\in\R^n\text{,}\) defina \(\phi\in\Lambda^1(\R^n)\) por
\begin{equation*} \phi(w)=\det(v_1,\ldots,v_{n-1}, w). \end{equation*}
Como \(\phi\in\Lambda^1(\R^n)\simeq V^\ast\text{,}\) existe \(z\in\R^n\text{,}\) tal que \(\phi(w)=\langle w,z\rangle\text{.}\) O vetor \(z\) é denotado por \(z=v_1\times\cdots\times v_{n-1}\) e é chamado de produto vetorial dos vetores \(v_1,\ldots,v_{n-1}\).