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Cálculo Integral MAT0321 - 2026/1

Lista de Exercícios Lista 03 – Tensores, Formas Diferenciais, Cadeias e Stokes

1.

Se \(\omega\) é um \(1-\)tensor em \(\R^n\text{,}\) mostre que existe uma matriz \(1\times n\text{,}\) digamos \(A\text{,}\) tal que \(\omega(y)=Ay\) para todo \(y\in\R^n\text{.}\) Em seguida, se \(T\in L(\R^m,\R^n)\text{,}\) determine a matriz que representa o 1-tensor \(T^\ast\omega\) em \(\R^m\text{.}\)

2.

Mostre que se \(\omega\) é um tensor simétrico então \(\alt(\omega)=0\text{.}\) Vale a recíproca?

3.

Sejam \(x_1,\ldots,x_k\) vetores em \(\R^n\) e \(X=[x_1\cdots x_k]\in M_{n\times k}(\R)\text{.}\) Se \(I=(i_1,\ldots,i_k)\) é uma \(k-\)upla rbitrária do conjunto \(\{1,\ldots,n\}\text{,}\) mostre que
\begin{equation*} \phi_{i_1}\wedge\ldots\wedge\phi_{i_k}(x_1,\ldots,x_k)=\det(X_I), \end{equation*}
onde \(X_I\) é a submatriz quadrada \(k\times k\text{,}\) obtida a partir das linhas de \(X\) indexadas por \(I\text{.}\)

4.

Seja \(\omega\colon\R^m\times\R^m\to\R\) um \(2-\)tensor alternado. Mostre que, se \(m\) é ímpar, então existe \(v\in\R^m\) não-nulo tal que \(\omega(v,u)=0\) para todo \(u\in\R^m\text{.}\)

5.

Mostre que a cada \(\omega\in\Lambda^{m-1}(\R^m)\) corresponde um único \(v\in\R^m\) tal que
\begin{equation*} (\omega\wedge f)(v_1,\ldots,v_m)=f(v)\,\mathrm{vol}(v_1,\ldots,v_m), \end{equation*}
para toda \(f\in\Lambda^1(\R^m)\) e todos \(v_1,\ldots,v_m\in\R^m\text{.}\) Mostre ainda que a correspondência \(\omega\mapsto v\) é um isomorfismo entre os espaços vetoriais \(\Lambda^{m-1}(\R^m)\) e \(\R^m\text{.}\)
Dica.
Basta verificar para qualquer base ortonormal positiva de \(\R^m\text{.}\)

6.

Mostre que se \(f\colon\R^n\to\R^m\) e \(g\colon\R^m\to\R^k\) são diferenciáveis então \((g\circ f)_\ast=g_\ast\circ f_\ast\) e \((g\circ f)^\ast=f^\ast\circ g^\ast\text{.}\)

7.

Seja \(\gamma\colon[a,b]\to\R^n\) uma curva diferenciável. Mostre que o vetor velocidade de \(\gamma\) no instante \(t\) é \(v=\gamma_\ast(t)(1)\text{.}\) Mostre também que se \(f\colon\R^n\to\R^m\) é diferenciável, então o vetor tangente a \(f\circ\gamma\) em \(t\) é \(f_\ast(v)\text{.}\)

8.

Considere as \(1-\)formas em \(\R^3\) dadas por
\begin{equation*} \omega=xy\,dx+3\,dy-yz\, dz\quad\text{e}\quad \eta=x\,dx-yz^2\,dy+2x\,dz. \end{equation*}
Mostre, calculando diretamente, que \(d^2\omega=0\) e \(d(\omega\wedge\eta)=d\omega\wedge\eta-\omega\wedge d\eta\text{.}\)

9.

Seja \(\omega\in\Omega^k(A)\text{,}\) onde \(A\subset\R^n\) é um aberto. Dizemos que \(\omega\) é nula em \(x\in A\) se \(\omega(x)\) é o \(k-\)tensor identicamente nulo.
  1. Mostre que se \(\omega\) é nula numa vizinhança de \(x_0\in A\) então \(d\omega\) é nula de em \(x_0\text{.}\)
  2. Construa um exemplo onde \(\omega\) é nula em \(x_0\text{,}\) mas \(d\omega\) não é nula em \(x_0\text{.}\)

10.

Sejam \(\eta,\theta\in\Omega^1(A)\text{,}\) onde \(A\) é aberto de \(\R^3\) tais que \(\eta\wedge\theta(x)\neq 0\) para todo \(x\in A\text{.}\) Se \(\omega\) é uma forma satisfazendo \(\omega\wedge\eta=\omega\wedge\theta=0\) mostre que existe \(f\colon A\to\R\) tal que \(\omega=f\,\eta\wedge\theta\text{.}\)

11.

Sejam \(\omega\in\Omega^1(\R^n)\) e \(f\colon\R^n\to\R\) uma função de classe \(\mathscr{C}^\infty\) tal que \(f(x)\neq 0\) para todo \(x\in\R^n\text{.}\) Mostre que \(d(f\omega)=0\) se e somente se a \(1-\)forma \(\alpha=\omega-(1/f)\, dx_{n+1}\) em \(\R^{n+1}\) satisfaz \(\alpha\wedge d\alpha=0\text{.}\)

12.

Seja \(A=\R^2\setminus\big\{(0,0)\big\}\) e considere a \(1-\)forma dada por
\begin{equation*} \omega=\frac{x}{x^2+y^2}\,dx+\frac{y}{x^2+y^2}\,dy. \end{equation*}
Mostre que \(\omega\) é fechada e exata em \(A\text{.}\)

13.

Sejam \(A=\R^n\setminus\{0\}\) e \(m\) um inteiro positivo fixado. Considere a \((n-1)-\)forma em \(A\) dada por
\begin{equation*} \eta=\sum_{i=1}^n (-1)^{i-1}f_i\,dx_1\wedge\ldots\wedge\widehat{dx_i}\wedge\ldots\wedge dx_n, \end{equation*}
onde \(f_i(x)=\dfrac{x_i}{|x|^m}\) e \(\widehat{dx_i}\) significa que \(dx_i\) é omitido daquela parcela.
  1. Calcule \(d\eta\text{.}\)
  2. Para quais valores de \(m\) temos \(d\eta=0\text{?}\)

14.

O operador \(d\colon\Omega^k(\R^n)\to\Omega^{k+1}(\R^n)\) pode ser visto como um tipo de derivada direcional. Isso é o que garante o teorema abaixo, que será demonstrado neste exercício.
Para provar o resultado acima, seiga os seguintes passos:
  1. Seja \(X=[v_1\cdots v_k]\text{,}\) matriz \(n\times k\text{.}\) Para cada \(1\leq j\leq k\) defina \(Y_j=[v_1\cdots \widehat{v_j}\cdots v_k]\text{,}\) matriz \(n\times (k-1)\text{.}\) Dada a \(k-\)upla \(I=(i,i_1,\ldots,i_k)\) mostre que
    \begin{equation*} \det X(i,i_1,\ldots,i_k)=\sum_{j=1}^k (-1)^{j-1}v_{ij}\det Y_j(i_1,\ldots,i_{k-1}). \end{equation*}
  2. Verifique a validade do teorema se \(\omega=f\, dx_I\text{,}\) ou seja, se \(\omega=f\, dx_i\wedge dx_{i_1}\wedge\ldots\wedge dx_{i_k}\text{.}\)
  3. Conclua o resultado enunciado.

15.

Seja \(A\) um aberto de \(\R^n\text{.}\) Denote por \(\mathscr{S}(A)\) o conjunto dos campos escalares sobre \(A\) e por \(\mathscr{X}(A)\) o conjunto dos campos de vetores sobre \(A\text{.}\) Mostre que existem isomorfismos \(\alpha_i\) e \(\beta_j\) entre espaços vetoriais como nos diagramas abaixo
\begin{equation*} \begin{CD} \mathscr{S}(A) @>\alpha_0 >> \Omega^0(A)\\ @VV\nabla V @VV d V\\ \mathscr{X}(A) @>\alpha_1 >> \Omega^1(A) \end{CD} \qquad\mbox{e}\qquad \begin{CD} \mathscr{X}(A) @>\beta_{n-1} >> \Omega^{n-1}(A)\\ @VV\divg V @VV d V\\ \mathscr{S}(A) @>\beta_n>> \Omega^n(A) \end{CD} \end{equation*}
tais que \(d\circ\alpha_0=\alpha_1\circ\nabla\) e \(d\circ\beta_{n-1}=\beta_n\circ\divg\text{,}\) onde \(\nabla f\) é o campo gradiente de uma função \(f\colon A\to\R\) dado por
\begin{equation*} \nabla f(p)=\sum_{i=1}^n \frac{\partial f}{\partial x_i}(p) e_i(p) \end{equation*}
e \(\divg{F}\) é o divergente de um campo de vetores \(F=(F_1,\ldots,F_n)\) em \(A\) dado por
\begin{equation*} \divg{F}(p)=\sum_{i=1}^n \frac{\partial F_i}{\partial x_i}(p)=\tr{DF(p)}. \end{equation*}

16.

Para cada campo de vetores \(F=(F_1,F_2,F_3)\) em \(\R^3\) defina as formas
\begin{align*} \omega_F&=F_1\,dx+F_2\,dy+F_3\,dz,\\ \eta_F&=F_1\,dy\wedge dz+F_2\,dz\wedge dx+F_3\,dx\wedge dy \end{align*}
  1. Mostre que \(df=\omega_{\nabla f}, d\omega_F=\eta_{\rot{F}}\) e \(d\eta_F=\divg{F}\,dx\wedge dy\wedge dz\text{.}\)
  2. Use as identidades acima para provar que \(\rot{\nabla f}=0\) e \(\divg{\rot F}=0\text{.}\)

17.

Seja \(f\colon\R^3\to\R^6\) uma função de classe \(\mathscr{C}^\infty\text{.}\) Mostre, através de cálculos diretos que
\begin{equation*} df_1\wedge df_3\wedge df_5 = \det M\,dx_1\wedge dx_3\wedge dx_5, \end{equation*}
onde \(M\) é a matriz composta das colunas \(1\text{,}\) \(3\) e \(5\) da matriz de \(Df\) na base canônica.

18.

Sejam \(\omega=xy\,dx+2z\,dy-y\,dz\in\Omega^1(\R^3)\) e \(f\colon\R^2\to\R^3\) dada por
\begin{equation*} f(u,v)=(uv, u^2, 3u+v). \end{equation*}
Calcule diretamente \(d\omega\text{,}\) \(f^\ast(d\omega)\) e \(d(f^\ast\omega)\text{.}\)

19.

Demonstre o teorema abaixo.

20.

Neste exercício obtemos condições necessárias e suficientes para que os isomorfismos lineares \(\alpha_i\) e \(\beta_j\) definidos no Exercício 15 tenham bom comportamento quando submetidas a ação de um difeomorfismo \(f\colon A\to B\) entre abertos de \(R^n\text{.}\)
Sejam então \(f\colon A\to B\) um difeomorfismo entre abertos de \(\R^n\text{,}\) \(x\in A\) e \(y\in B\text{.}\) Ao campo de vetores em \(A\) dado por \(F(x)=f(x)_x\) associamos o campo \(G(y)=f_\ast\Big(F\big(f^{-1}(y)\big)\Big)\) em \(B\text{.}\)
  1. Mostre que \(f^\ast(\alpha_1 G)=\alpha_1 F\text{,}\) para todo campo de vetores \(F\) em \(A\) se e somente se a matriz de \(Df(x)\) na base canônica é ortogonal para todo \(x\in A\text{.}\)
    Dica.
    Mostre que \(f^\ast(\alpha_1 G)=\alpha_1 F\) equivale a \(Df(x)^tDf(x)\big(f(x)\big)=f(x)\text{.}\)
  2. Mostre que \(f^\ast(\beta_{n-1}G)=\beta_{n-1}F\) para todo campo \(F\) se e somente se \(\det Df(x)=1\text{.}\)
    Dica.
    Mostre que \(f^\ast(\beta_{n-1}G)=\beta_{n-1}F\) equivale a \(f(x)=\det Df(x) f(x)\text{.}\)
  3. Para cada campo escalar \(h\) em \(A\) associamos o campo escalar \(k=h\circ\alpha^{-1}\) em \(B\text{.}\) Mostre que \(f_\ast(\beta_n k)=\beta_n h\) para toda \(h\) se e somente se \(\det Df=1\text{.}\)

21.

Seja \(f:U\to\R^n\) um difeomorfismo. Suponha que toda forma fechada em \(U\) também é exata. Mostre que o mesmo vale em \(f(U)\text{.}\)
Dica.
Pense em pull-backs.

22.

Seja \(\theta\colon\R^2\to]0,2\pi[\) a segunda coordenada da inversa de \(f\colon\R^2\to\R^2\) dada no Exercício 22 da Lista 01 - “Recordação”. Mostre que
\begin{equation*} \int_{C_{r,n}}d\theta = 2\pi n, \end{equation*}
onde \(C_{r,n}\) é o \(1-\)cubo singular dado por \(C_{r,n}=(\cos 2\pi nt, \sin 2\pi nt)\text{.}\)
Use o teorema de Stokes para \(1-\)cadeias singulares para concluir que \(C_{r,n}\) não pode ser o bordo de nenhuma \(2-\)cadeia em \(\R^2\setminus\big\{(0,0)\big\}\text{.}\)

23.

Sejam \(c_1\) e \(c_2\) \(1-\)cubos singulares em \(\R^2\) satisfazendo \(c_1(0)=c_2(0)\) e \(c_1(1)=c_2(1)\text{.}\) Mostre que existe um um \(2-\)cubo singular \(c\) tal que \(\partial c=c_1-c_2+c_3-c_4\) onde \(c_3\) e \(c_4\) são degenerados, ou seja, pontos em \(\R^2\text{.}\) Conclua que
\begin{equation*} \int_{c_1} \omega=\int_{c_2}\omega \end{equation*}
para toda \(1-\)forma exata \(\omega\) de \(\R^2\text{.}\) Dê um contra-exemplo em \(\R^2\setminus\big\{(0,0)\big\}\) quando \(\omega\) é fechada, mas não é exata.

24.

Mostre que se \(\omega\) é uma \(1-\)forma num aberto de \(\R^2\) e
\begin{equation*} \int_{c_1} \omega=\int_{c_2}\omega \end{equation*}
para todos \(1-\)cubos singulares com \(c_1(0)=c_2(0)\) e \(c_1(1)=c_2(1)\text{,}\) então \(\omega\) é exata.
Dica.
Lembre-se da construção de uma função potencial para um campo de vetores em \(\R^2\) feita em sala.

25. “Bônus”– Introdução às funções analíticas.

Uma função \(f\colon\C\to\C\) é diferenciável em \(z_0\) se
\begin{equation*} f'(z_0)=\lim_{z\to z_0}\frac{f(z)-f(z_0)}{z-z_0} \end{equation*}
existe. Se \(f\) é diferenciável em todo ponto de um aberto \(A\subset\C\) e \(f'\) é continua em \(A\) então dizemos que \(f\) é analítica em \(A\).
  1. Mostre que \(f(z)=z\) é analítica e \(f(z)=\overline{z}\) não o é. Mostre também que somas, produtos e quocientes de funçções analíticas também são analíticas.
  2. Mostre que se \(f(z)=u(z)+iv(z)\text{,}\) onde para \(z=x+iy\text{,}\) temos \(u(z)=u(x,y)=\Re f(z)\) e \(v(z)=v(x,y)=\Im f(z)\text{,}\) é analítica então \(u_x=v_y\) e \(u_y=-v_x\) (equações de Cauchy-Riemann). Vale a recíproca?
  3. Seja \(T\colon\C\to\C\) uma transformação \(\R-\)linear. Mostre que \(T\) corresponde a uma multiplicação por um número complexo se e somente se \(a=d\) e \(b=-c\text{,}\) onde \(\left(\begin{smallmatrix} a&b\\ c&d \end{smallmatrix}\right)\) é a matriz de \(T\) em relação à base \(\{1,i\}\text{.}\) Com isso, considerando \(f\colon\C\to\C\) analítica como uma função diferenciável de \(\R^2\) em \(\R^2\text{,}\) temos que \(Df(z_0)\) corresponde à multiplicação por um número complexo. Determine esse número.
  4. Se \(\omega,\eta,\mu, \lambda\) são formas diferenciais em um aberto de \(\R^2\) definimos
    \begin{align*} &d(\omega+i\eta)=dw+id\eta,\quad dz=dx+idy,\hfill\\ &\int_c \omega+i\eta=\int_c\omega+i\int_c\eta,\hfill\\ &(\omega+i\eta)\wedge(\mu+i\lambda)= (\omega\wedge\mu-\eta\wedge\lambda)+i(\eta\wedge\mu+\omega\wedge\lambda).\hfill \end{align*}
    Mostre que \(d(f\,dz)=0\) se e somente se \(f\) satisfaz as equações de Cauchy-Riemann.
  5. Se \(f\) é analítica em \(A\) então \(\displaystyle\int_cf\,dz=0\) para toda curva fechada tal que \(c=\partial c'\text{,}\)onde \(c'\) é alguma \(2-\)cadeia em \(A\text{.}\)
  6. Mostre que \(dz/z=id\theta+dh\) para alguma função \(h\colon\C\setminus\{0\}\to\R\) e conclua que \(\displaystyle\int_{C_{r,n}} (1/z)\,dz=2\pi i n\text{.}\)
  7. Se \(f\) é analítica no disco unitário aberto, \(D\text{,}\) mostre que \(f(z)/z\) o é em \(D\setminus\{0\}\) e
    \begin{equation*} \int_{C_{r_1,n}}\frac{f(z)}{z}\, dz = \int_{C_{r_2,n}}\frac{f(z)}{z}\, dz, \end{equation*}
    para \(0<r_1,r_2<1\text{.}\)
    Usando o item acima para calcular \(\displaystyle{\lim\limits_{r\to 0}\int_{C_{r,n}} \frac{f(z)}{z}\, dz\text{,}\) conclua o:
O winding number em torno da origem de uma curva fechada \(c\) com imagem em \(\R^2\setminus\big\{(0,0)\big\}\) é o único inteiro \(n\) tal que \(c-C_{1,n}=\partial c'\) para alguma \(2-\)cadeia \(c'\text{.}\) (É necessário verificar a existência e unicidade de tal \(n\)).